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domingo, 19 de abril de 2015

As Sátiras de um menino energúmeno

As Sátiras de um menino energúmeno

Olavinho com Começo de Disenteria  Avançada
 Olavinho estava em seu quarto como sempre brincando com seu boneco inflável. Para uma criança de dez anos é uma ótima atividade que ajuda no desenvolvimento dos hormônios, além do Ministério da Saúde não recomenda-los para menores de dez anos, por conter orifícios onde podem causar asfixia e perda de zinco no corpo masculino dos meninos.
Seu pai estava no quarto tirando os sapatos depois de uma manhã árdua de trabalho na prefeitura, atendendo pessoas com diversas causas, dentre elas: reclamações sobre o asfalto, reclamações sobre os cachorros da rua, reclamações sobre a vida dos vizinhos, reclamações sobre as reclamações feitas, e o pedido de cestas básicas (que seriam mais um bom motivo para reclamações futuras).
A mãe, contudo estava na cozinha trabalhando arduamente depois de uma manha relativamente simples de empregada domestica. Assim como existiam cães, gatos, iguanas e porcos domésticos, também existiam as empregadas domésticas, com uma única diferença dos outros domésticos que era que ela não tinha nada a ver com a casa, diferentemente do cachorro, gato, iguana e porcos, que moravam nela e faziam suas necessidades por todo o quintal.
O almoço seria servido e nele haveria um verdadeiro banquete brasileiro capaz de fazer até o gringo mais durão salivar de nojo vontade. Um maravilhoso arroz papo, duro e com carunchos branco, com temperos frescos de antes de ante ontem comprados na feira de excelente qualidade; um feijão tipo um (mais quatro) deliciosamente feito com pedrinhas de construção temperos fresco e muito amor (muito mesmo, porque isso era o principal ingrediente em abundancia no caldo do feijão a não ser as pedrinhas de construção temperos) e de mistura o mais delicioso e nutritivo ovo de galináceo passado e frito no delicioso óleo de helianthus ânus annuus, de tão primeira qualidade quanto o tratamento do rio Tietê de São Paulo, cuja textura, aroma e paladar são incomparáveis, com belo acompanhamento de cloreto de sódio com iodo (na mesma porcentagem de cloro na água, pelo menos a tiroide estava a salvo, já a pressão sanguínea...); além é claro de ser uma receita de difícil preparo, cuja algumas vezes já deixou cicatrizes de queimaduras na mãe de Olavinho. De bebida não havia o tão famoso guaraná refrigerante Dolly de maçã, mas na falta havia algo bem melhor e saudável: água de cloro da Sabesp. A água de cloro era a água mais saudável e bem tratada de todo o mundo, com uma incrível composição de oitenta por cento cloro e vinte por cento água, que garantia uma água livre de qualquer parasita (que não fosse a dengue) e demasiadamente saudável que exterminava com todas as caries, se tivesse sorte com os seus dentes, esôfago e estomago também.
O almoço foi normal, todos comiam desanimadamente, apenas engolindo antes de conseguirem sentir o sabor maravilho da refeição, para que não vomitassem de tanta emoção.
Mas algo não estava certo com Olavinho, quando mastigava estava tão desanimado que fazia um barulho do tipo splac splac splac e isso preocupou sua (preocuparia seu pai se seu saco não estivesse tão cheio de tantas outras preocupações, uma dela o fato de sustentar uma amante, quando nem conseguia com a própria família).
Com o coração de mãe preocupado com o filho e o coração de mulher preocupado com o final da novela no Vale a Pena Ver de Novo, a mãe de Olavinho o levou ao médico depois do almoço, torcendo (com o coração de mulher) que fosse algo grave e pudesse pegar um atestado de acompanhante.
O Dr. Bisnagudo, que apenas tinha cursado até o primeiro grau e pulara o resto com um super supletivo, além de não ter nem acabado direito a especialização em pediatria, sem doutorado, mas ainda se intitulando doutor, fez vários exames minuciosos e de alta prescrição no menino Olavinho, dentre eles: olhou seus olhos, olhou suas orelhas, olhou sua boca, olhou seu cabelo, olhou seu celular, olhou seus sapatos e os pés, e olhou seu ânus (esse foi o exame mais demorado, e o favorito de Olavinho) e com apenas uma somatória simples de fatos verídicos constatou nele Começo de Disenteria Avançada (o porque de se usar "começo" e "avançado" na mesmo nome ainda é um mistério dos "doutores"). A mãe de Olavinho não sabia se ria de alegria (porque assistiria sua novela) ou se chorava de medo (porque a cena da novela seria muito forte, "com quem Sebastião ficaria?"). Mas por fim resolveu se preocupar um pouco com o filho que foi medicamento de acordo com o sistema do SUS, que envolvia injeções, vamos aos nomes: foram lhe dadas treze injeções de xarope em volta do umbigo, quatro de dipirona em volta da bunda, cinco de neusadina em volta da cabeça e uma no braço que veio como brinde no pacote promocional do SUS, tome vinte e duas injeções e ganhe uma de LSD na veia do braço. Olavinho gostou da ultima dose, sua mãe, no entanto, armou barraco na portaria, alegando que era acompanhante e tinha direito a injeção promocional também.
Olavinho foi pra casa muito melhor do que quando entrou, vendo em toda parte macacos voadores que voavam soltando pums de arco iris pela bunda grande e vermelha. No dia seguinte e durante a proxima semana teve algumas agravações que não preocuparam muito sua mãe que chorava por saber que Sebastião escolhera ficar com Carlos, o chofer. Ele teve algumas febrezinhas de quarenta graus, seguidas de espasmos e espumamento pela boca, fora as alucinações do LSD que lhe mostrava a mãe voando soltando peidos de arco iris. Mas dentro de um mês se recompôs e pode voltar a sua vida normal.
Olavinho tirou duas lições importantes naquele dia: devia sempre ouvir o médico e nunca substimaria o poder do Vale a Pena Ver de Novo.

3 comentários:

  1. Kkkkkkkkkkkkkk muito bom parabéns more
    Passou no Enem

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  2. Vitor, muito bom texto! Parabéns pela produtividade do texto e pela imaginação.

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  3. É por isso que vc não deve usar drogas filho...

    att.,
    Jonas Barato

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